Perguntas e respostas

Nutrição em Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Orientação de Nutrição em Geral

ORIENTAÇÃO DE NUTRICÃO ENTERAL

O que é nutrição enteral ou dieta por sonda nasoenteral?
É uma dieta especificamente elaborada, fornecida através de uma sonda, para facilitar o transporte do alimento até o estômago ou o intestino.

Quando utilizar a sonda para se alimentar?
As sondas para alimentação são utilizadas quando a pessoa não deve ou não pode ingerir sua dieta pela boca, como por exemplo, em casos de cirurgias da região de cabeça e pescoço, esôfago, estômago, etc. Também são recomendadas quando a pessoa não consegue atingir as necessidades nutricionais do seu organismo somente com a alimentação via oral.

Por quanto tempo devo permanecer com a sonda?
Não existe tempo certo para a permanência da sonda; quem determina a retirada é a equipe multiprofissional (médico, nutricionista e/ou fonoaudiólogo), baseados na evolução clínica do paciente.

Quais os tipos de sonda?
As sondas nasoenterais são colocadas pelo médico ou enfermeiro. O procedimento é simples e indolor, podendo causar uma discreta náusea ou um desconforto na garganta ou nariz no momento da passagem. O tempo de utilização da mesma sonda é indeterminado, ficando a troca a critério da equipe.

– Sonda Nasoenteral: a sonda é introduzida através do nariz e posicionada no estômago ou intestino;
– Gastrostomia: a sonda é colocada diretamente no estômago através de cirurgia ou endoscopia;
– Jejunostomia: a sonda é colocada no intestino (jejuno) através de cirurgia;

Que tipo de dieta devo passar pela sonda?

Basicamente, existem dois tipos de dieta enteral:

– Dieta Caseira: esse tipo de dieta é chamada in natura e é preparada com os alimentos usuais como legumes, verduras, arroz, carne, frango, leite, etc.
O nutricionista orientará com detalhes a forma de preparo e as quantidades dos alimentos a serem utilizados, para que a dieta esteja completa e equilibrada.

– Dieta Industrializada: é uma dieta pronta, balanceada, possuindo todos os nutrientes necessários. pode ser apresentada sob a forma de pó, que deve ser liquidificada em água, ou sob a forma líquida pronta para ser administrada.
O nutricionista indicará a dieta mais adequada ao seu caso.

Como administrar a dieta?
1) As dietas deverão ser administradas em frasco e equipo. O nutricionista orientará em relação aos horários, forma e volume a ser administrado. Em geral, recomenda-se seis vezes por dia, em intervalos de três em três horas;

2) O volume de cada horário de dieta prescrita pelo nutricionista deve ser acondicionado no frasco.
Ofereça a dieta em temperatura ambiente, pois se estiver muito fria ou quente, pode causar diarréia ou cólica ao paciente. Dessa forma, se a dieta enteral estiver guardada na geladeira, é preciso retirá-la 30 minutos antes da refrigeração e deixá-la em temperatura ambiente. Agite antes de usar;

3) Posteriormente, você deve conectar o equipo com a extremidade mais pontiaguda no frasco. Antes de conectar o equipo à sonda através da abertura do regulador, deixe que a alimentação percorra todo o equipo a fim de que saia o ar de dentro do mesmo;

4) Pendure o frasco a uma altura que permita a descida de dieta. Controle o gotejamento através do regulador. Esse é um fator que deve ser muito bem observado, pois interfere na digestão da dieta. A velocidade ideal do gotejamento deve ser de aproximadamente 50 a 60 gotas por minuto. Variações de tempo existem você irá aos poucos observar;

5) Enquanto estiver recebendo a dieta, não fique completamente deitado. Se possível, permaneça sentado em uma cadeira ou sofá. Encoste sempre alguns travesseiros nas costas até encontrar uma posição confortável. Com isso, você evita o refluxo da dieta e, conseqüentemente, o vômito;

6) Após o término de cada horário de dieta, injetar 50 ml de água filtrada ou mineral na sonda, com uma seringa descartável de 20 ml. O jato de água serve para limpar a sonda;

7) O frasco, o equipo e a seringa são descartáveis, mas podem ser reutilizados enquanto estiverem em condições de uso (limpos, sem resíduos, sem rachaduras, com o êmbolo deslizando facilmente dentro da seringa);

8) Lave o frasco, o equipo e a seringa com água e detergente neutro e enxágüe bem. Deixe por 20 minutos em solução de água com água sanitária (para 1 litro de água, utilizar 2 colheres de sopa de água sanitária) ou hipoclorito. Enxágüe com água filtrada ou mineral. Secar e guardar em local limpo. Se preferir utilize os produtos prontos à base de hipoclorito para fazer a desinfecção;

O que fazer se a sonda sair, obstruir, rachar ou furar?
Caso alguma dessas coisas aconteça, procure a equipe responsável. Tome cuidado com a fixação da sonda: ao se barbear, preste atenção para não cortá-la e procure não se esquecer de injetar a água com a seringa sempre após a administração da dieta e de medicamentos.

Se você tiver dúvidas quanto à fixação, procure a equipe de enfermagem para esclarecê-las.

E quando uma dieta não for administrada no horário?
O ideal é que todas as dietas prescritas pelo nutricionista sejam administradas, em todos os horários. Dessa forma, não há prejuízo no fornecimento das necessidades nutricionais do paciente. No entanto, se isso eventualmente ocorrer, não tente compensar uma dieta perdida, dobrando o volume da próxima dieta, pois isto pode causar desconforto gástrico ou diarréia. A dieta poderá ser administrada ao final do dia, mantendo o mesmo espaço de tempo.

O que fazer em caso de:
– Diarréia: (se o paciente apresentar três ou mais episódios de fezes líquidas). Verificar se a dieta está sendo administrada em temperatura e gotejamento adequado, e as condições de higiene dos utensílios e do manipulador. Se não houver melhora consulte o médico e/ou nutricionista;

– Refluxo: administrar a dieta com o paciente sentado ou em decúbito elevado. Diminua a velocidade de gotejamento. Respeite os intervalos entre as dietas determinadas pelo nutricionista;

– Constipação intestinal: consulte o nutricionista para uma possível alteração da dieta, ou o médico para a introdução de medicamentos;

– Obstrução da sonda: com uma seringa de 20 ml, administre água em forma de jato, para remover possíveis resíduos de dietas ou medicamentos. Caso não solucione o problema entre em contato a equipe médica;

Como administrar medicamentos pela sonda?
– Medicamentos líquidos: aspirar o volume prescrito com a seringa e injetar pela sonda;

– Comprimidos ou drágeas: amassar e dissolver em água, misturando bem; aspirar com a seringa e injetar pela sonda.

Administrar os medicamentos um a um. Injetar água após cada medicação, para evitar que se misturem na sonda, podendo entupir a mesma. Existem medicamentos que não devem ser administrados pela sonda; verifique com o seu médico.

Material Elaborado por:
Tatiana Oliveira – Nutricionista, Mestre e Especialista em Nutrição em Oncologia
Para saber mais acesse o site www.nutrionco.com.br

Como deve ser a alimentação de um paciente?

COMO DEVE SER A ALIMENTAÇÃO DE UM PACIENTE COM CÂNCER NA REGIÃO DA CABEÇA E PESCOÇO?

Em geral a terapia padrão para o tratamento do câncer na região de cabeça e pescoço consiste em cirurgia e/ou radioterapia para lesões precoces e terapia combinada com quimioterapia para lesões avançadas. Todas as modalidades de tratamento, incluindo a cirurgia, radioterapia e quimioterapia podem afetar o estado nutricional.

Os pacientes com câncer de cabeça e pescoço têm um risco de desnutrição aumentado por várias razões, tais como: hábitos alimentares inadequados associados com consumo excessivo de álcool e tabaco freqüentemente observados entre estes pacientes. Além disso, a localização do tumor provoca disfagia (dificuldade de deglutição), odinofagia (dor para engolir), trismo (dificuldade de abertura da boca) e alterações do paladar, resultando em uma diminuição da ingestão alimentar. A evidente perda nutricional nestes pacientes reduz a tolerância ao tratamento. Portanto, a alimentação vai depender de com qual consistência o paciente consegue se alimentar.

Se apresentar dificuldade ou dor para engolir, a alimentação a deverá ser de consistência mais pastosa ou liquidificada, distribuída em 6 a 8 refeições ao dia e deve-se utilizar um suplemento nutricional oral caso as necessidades nutricionais diárias não sejam atingidas. Se não conseguir tolerar a alimentação via oral e apresentar perda de peso, ou após grandes cirurgias, é importante tentar uma outra via de alimentação através de uma sonda nasoenteral ou gastrostomia.

O tratamento de radioterapia na região de cabeça e pescoço pode causar alguns efeitos colaterais agudos como diminuição da saliva (xerostomia), alteração do paladar (disgeusia), mucosite, dor para engolir (odinofagia), dificuldade de deglutição (disfagia) e trismo (dificuldade de abertura da boca), que se não forem tratados podem levar à perda de peso e várias conseqüências nutricionais importantes.

O primeiro passo é procurar ofertar o maior número de refeições ao paciente conforme a tolerância; ingerir pequenas quantidades de líquidos freqüentemente; oferecer preparações mais úmidas e pastosas; enriquecer a alimentação com leite em pó, creme de leite, etc. Se possível, utilize um suplemento nutricional específico caso não consiga atingir suas necessidades diárias e venha perdendo peso; avalie com seu médico e/ou dentista a necessidade de saliva artificial. Alguns pacientes relatam que os doces de forma geral provocam mais secura na boca, se esse for o caso, evite por um período. Os pacientes podem freqüentemente apresentar perda de peso significante durante o tratamento, acarretando diminuição da qualidade de vida, da sobrevida e da tolerância ao tratamento. Por esses motivos é muito importante ser acompanhado por um nutricionista, para que a alimentação seja adaptada as suas necessidades. Se estiver perdendo peso, procure um nutricionista e avise o seu médico.

Material Elaborado por:
Tatiana Oliveira – Nutricionista, Mestre e Especialista em Nutrição em Oncologia
Para saber mais acesse o site www.nutrionco.com.br

Alimentação na radioterapia

VOU FAZER RADIOTERAPIA. COMO DEVO ME ALIMENTAR?

A radioterapia na região de cabeça e pescoço pode provocar alguns efeitos colaterais como: secura na boca (xerostomia), perda de paladar, alteração de paladar, diminuição da saliva, saliva grossa, feridas na boca (mucosite), dor para engolir e perda de apetite que podem ocorrer em algum momento do tratamento. A alimentação vai depender de com qual consistência o paciente consegue se alimentar.

É importante monitorizar estes efeitos e ajustar a alimentação neste período, além de controlar o peso.

Durante a radioterapia o paciente deverá ter uma boa ingestão de alimentos que contenham energia e proteína (carnes, aves, peixes, ovos, leite e derivados), para que a pele da área que está sendo irradiada possa se recuperar o mais rápido possível e para que o sistema de defesa do seu organismo não seja afetado. Não é recomendado fumo e ingestão de bebidas alcoólicas durante este período

Se apresentar dificuldade ou dor para engolir, a sua alimentação deverá ser de consistência mais pastosa ou liquidificada, distribuída em 6 a 8 refeições ao dia e utilizar um suplemento nutricional oral, caso as necessidades nutricionais diárias não sejam atingidas.

Se não conseguir tolerar a alimentação via oral e apresentar perda de peso freqüente é importante tentar outra via de alimentação através de uma sonda nasoenteral ou gastrostomia, converse com seu médico ou nutricionista para verificar se há indicação no seu caso.

Se estiver perdendo peso, procure um nutricionista e avise o seu médico.

Se durante todo o período de radioterapia o paciente não apresentar nenhum dos sintomas citados acima, sua alimentação deve ser normal.

Material Elaborado por:
Tatiana Oliveira – Nutricionista, Mestre e Especialista em Nutrição em Oncologia
Para saber mais acesse o site www.nutrionco.com.br

Tireóide

Autor: Dr. Renato de Castro Capuzzo

Conceitos

1) O que é a tireóide e onde se localiza no corpo humano?

A glândula tireóide é um órgão do sistema endócrino do corpo humano. Ela se localiza na porção central e inferior do pescoço, logo abaixo do “Pomo de Adão”, que é uma cartilagem da laringe. Toda vez que ocorre o movimento de deglutição, ela se movimenta para cima e para baixo junto com a laringe. Veja auto-exame de tireóide

2) Para que serve a glândula tireóide?

A tireóide é produtora dos hormônios tireoidianos (T3 e T4), que são responsáveis pelo controle de diversas partes do metabolismo dos órgãos do corpo humano. Sua atividade (produção e liberação dos hormônios) é controlada pela hipófise, através de uma substância chamada TSH (hormônio estimulante da tireóide).

3) Quais as doenças que podem acometer a glândula tireóide?

A tireóide pode sofrer de doenças que acometam sua forma (aumento difuso ou nodular), sua função (hipertiroidismo ou hipotireidismo), ou ambas.

Os nódulos de tireóide podem ser únicos ou múltiplos, benignos ou malignos, produtores de hormônio ou não. A grande maioria dos nódulos tireoidianos são benignos e não produzem hormônios. Para informações sobre nódulos malignos veja câncer de tireóide. Geralmente a presença dos nódulos não interfere na produção global de hormônios pela glândula, mas alguns nódulos podem produzir hormônios em excesso, independente do controle da hipófise. Devido à presença dos nódulos a glândula pode adquirir grandes dimensões, causando sintomas compressivos cervicais (falta de ar ou dificuldade para engolir). Porém, nem todas as tireóides aumentadas têm nódulos, uma vez que a glândula pode estar difusamente aumentada (em geral devido à deficiência de Iodo ou a doenças auto-imunes).

Para informações sobre alterações na função da glândula, ver hipotireoidismo e hipertireoidismo.

4) O que é bócio? Qual a sua freqüência na população?

Bócio é definido como um aumento da glândula tireóide. Este aumento pode ser devido à nódulos, doenças inflamatórias (tireoidites) ou aumento difusos da glândula.

A freqüência de bócio multinodular chega a 30% da população mundial. Em 1990, mais de 650 milhões de pessoas no planeta eram afetadas por bócio, principalmente devido à carência de Iodo em algumas regiões centrais da África e da China. No Brasil, em 1955, 20,7% das crianças em idade escolar apresentavam bócio endêmico. Este número caiu para 14,1% em 1974 devido à medidas de acréscimo de Iodo ao sal de cozinha.

5) Por que aparecem os nódulos na Tireóide?

As causas dos nódulos da tireóide tem sido amplamente estudadadas e debatidas. Os fatores mais claramente relacionados com a formação de nódulos são a carência de Iodo na dieta e o hipotireoidismo (elevação do TSH). Há, sem dúvida, uma maior predisposição de se desenvolver nódulos tireoidianos com o aumento da idade. Alguns estudos mostram que o consumo de Iodo em excesso leva ao aparecimento do bócio, assim como a gravidez aumenta as chances de aparecimento de nódulos.

Todos os nódulos da tireóide devem ser avaliados para se afastar a possiblidade de serem Câncer de Tireóide .

6) A glândula tireóide faz engordar ou emagrecer?

A crença de que quem tem doença de tireóide engorda ou emagrece deve ser esclarecida. De maneira geral, portadores de hipotireoidismo tendem a ganhar peso, e portadores de hipertireoidismo tendem a perdê-lo, devido às alterações das taxas de metabolismo corpóreo que essas doenças causam. Porém, há diversos graus de alterações da produção de hormônios, que nem sempre refletem no peso do indivíduo. Pacientes com hipotireoidismo discreto podem não perder peso, e pacientes com hipertireoidismo podem ter grande aumento do apetite, vindo até a ganhar peso. Além disso, desde que não haja interferência na produção de hormônios, a presença de nódulos não causa alterações de peso. E quando o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo estiverem tratados, o peso tende a se estabilizar. Assim, indivíduos submetidos a tireoidectomias não necessariamente irão ganhar peso, uma vez que terão controle hormonal adequado com o acompanhamento médico.

Ainda assim, apesar de que a obesidade é uma doença muito freqüente na população, e nem sempre está relacionada a problemas de tireóide, indivíduos que têm grandes ganhos ou grandes perdas de peso devem procurar atendimento médico especializado, não só para investigação de doenças tireoidianas, como também para tratamento desta condição mórbida.

7) As doenças da Tireóide afetam a voz?

Raramente. O hipotireoidismo é uma condição clínica que pode levar em alguns casos a rouquidão e alterações no timbre da voz (voz mais grossa).

O câncer de tireóide, principalmente nos estágios iniciais, dificilmente leva a rouquidão. Somente casos avançados costumam levar a alterações na função das cordas vocais.

8) As doenças da tireóide causam dor no pescoço?

A grande maioria das doenças tireoidianas não causam dor, mas algumas condições podem causar. A tireoidite subaguda (chamada de DeQuervain) é uma doença relativamente incomum que pode, em seus estágios iniciais, causar dor cervical na região da tireóide, e a tireoidite aguda (infecção bacteriana da tireóide, doença raríssima) também causa dor. Nódulos que apresentem rápido crescimento (em geral devido a sangramento intranodular) podem apresentar dor localizada.

O câncer de tireóide não costuma causar dor, apenas em estádios mais avançados.

A tireoidite de Hashimoto, que é a doença tireoidiana mais comum e causa hipotireoidismo, não causa dor, pois, apesar de ser um processo inflamatório da glândula, é extremamente lento e crônico.

De qualquer forma, as dores oriundas da glândula tireóide costumam ser localizadas na região da glândula, e são muito menos freqüentes do que outras doenças que causam dor no pescoço (como doenças de coluna ou aumento inflamatório de linfonodos cervicais).

9) Quais são os exames para avaliar os problemas da tireóide?

Os exames que freqüentemente são pedidos para avaliar os distúrbios da glândula tireóide são:

Dosagem de hormônios tireoidianos e TSH: Normalmente são solicitados o TSH e o T4 livre, que serão os hormônios que mais influenciarão nas decisões clínicas. Eles avaliam a função da glândula tireóide sendo que o TSH elevado indica hipotireoidismo e o TSH diminuído indica hipertireoidismo. Em algumas situações são solicitados o T4 total, T3 total e o T3 livre.

Dosagem de anticorpos tireoidianos: São solicitados para avaliar a presença de algumas doenças autoimunes da tireóide como a tireoidite de Hashimoto, a tireoidite subaguda e a Doença de Graves (hipertireoidismo). São eles o anticorpo anti peroxidase (Ac TPO), anticorpo anti-tireoglobulina (AC TG) e Anticorpo anti receptor de TSH (TRAB).

Ultrasson de tireóide: É extremamente importante para avaliar a presença de nódulos tireoidianos, principalmente os não palpáveis. Informações como tamanho, localização dentro da glândula e características dos nódulos norteiam a decisões cirúrgicas assim como servem para o acompanhamento clínico dos mesmos. O Doppler associado ao ultrasson fornece informações sobre a vascularização dos nódulos , que podem aumentar as suspeitas de malignidade.

Biópsia por punção aspirativa com agulha fina (PAAF): Exame fundamental para se tomar a decisão de se realizar a cirurgia de tireóide, pois é o mais sensível para detectar malignidade. O exame consiste em colher células dos nódulos tieoidianos através de uma punção com agulha orientada ou não por ultra-sonografia. Basicamente, os resultados podem ser benignos (bócio colóide, bócio adenomatoso, tireoidite crônica linfocitária, cisto colóide), malignos (carcinoma papilífero, carcinoma medular ou anaplásico) ou suspeitos (padrão folicular, padrão folicular com células oncocíticas ou Hürthle, padrão papilífero). Tanto os resultados malignos como os resultados suspeitos normalmente são indicativos de cirurgia por suspeita de ser um câncer de tireóide. Em muitas situações, somente a ressecção e posterior análise anátomo-patológica do nódulo é que vai determinar se o nódulo é de fato maligno ou não.

Cintilografia de tireóide: É um exame menos solicitado hoje em dia. Ele avalia aspectos funcionais da glândula e costuma classificar os nódulos em quente, frios ou mornos. Antigamente os nódulos frios eram tidos como suspeitos de câncer. Esta classificação é pouco útil atualmente para avaliar malignidade já que a punção por agulha fina é um exame muito mais sensível e especifico.

Raio X cervical: este exame serve para avaliar se a tireóide esta causando compressão e desvio das estruturas cervicais como a traquéia. Tireóides de tamanho aumentado podem comprimir a traquéia ou ter crescimentopara o tórax (bócios mergulhantes).

Tomografia Computadorizada e Ressonância Nuclear Magnética: Não são solicitados de rotina. São úteis em bócios volumosos e mergulhantes, e para avaliar possíveis invasões de estruturas adjacentes em casos de câncer de tireóide avançados. Neste último, é preferido a ressonância nuclear a tomografia pelo fato da primeira não utilizar contraste iodado, o que pode retardar o tratamento com Iodo radiaotivo pós-operatório de cirurgia de câncer de tireoide.

10) Por que se faz a cirurgia da tireóide?

As principais razões para se realizar a tireoidectomia são: Suspeita de malignidade: Apesar de não ser freqüente, o nódulo de tireóide pode ser um câncer de tireóide. Quando o médico suspeita de malignidade pela palpação dos nódulos tireóidianos ou pelo exame de punção aspirativa por agulha fina (PAAF), somente a cirurgia pode dar a certeza se o nódulo é maligno ou não. Compressão cervical , desvio de traquéia ou bócios mergulhantes: Tireóide muito aumentada ou com nódulos que levam a sintomas de compressão de estruturas cervicais, causando dificuldades para engolir e respirar são também motivos que levam a cirurgia. Tireóides que cresceram em direção ao tórax, ou bócios mergulhantes, também devem ser operadas. Hipertireoidismo refratário a tratamento clínico: Indica-se tireoidectomia quando o paciente não tolera o tratamento com remédios ou este não está sendo suficientemente eficaz para controlar o hipertireoidismo, principalmente quando a tireóide for muito aumentada ou com nódulos. Estético: Embora não seja uma indicação comum, nódulos que levam a um desconforto estético podem justificar uma cirurgia de tireóide.

11) Posso viver sem a glândula tireóide após sua retirada cirúrgica?

Sim. Os hormônios produzidos pela glândula podem ser substituídos pelos análogos sintéticos presentes em alguns medicamentos. Todo hormônio que era produzido pela glândula, deverá ser tomado através de comprimidos, sem que haja qualquer prejuízo para a saúde do indivíduo.

Hipotireoidismo

1) O que é hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é a situação em que há uma quantidade insuficiente de hormônios tireoidianos circulantes no organismo. Isto leva a alteração no metabolismo dos diversos órgãos do corpo levando a sintomas clínicos e alterações laboratoriais.

2) Quais os sintomas do hipotireoidismo?

O hipotireoidismo pode causar sintomas em diversos órgãos do corpo humano iniciando com sintomas gerais como cansaço, ganho de peso, depressão, intolerância ao frio e dificuldade de concentração. Os pacientes apresentam diminuição na freqüência dos batimentos cardíacos, pele seca, depressão, unhas e cabelos quebradiços e dores articulares. Ocorre também obstipação intestinal (prisão de ventre), fadiga muscular, alterações menstruais e inchaço nas pernas e no rosto e elevação dos níveis de colesterol.

Lembre-se, os sintomas do hipotireoidismo não são específicos da doença e podem se apresentar por outros motivos. Cabe ao medico avaliar cada um de seus sintomas e interpretar se são decorrentes da falta do hormônio ou não.

3) Quais as causas de hipotireoidismo?

A causa mais comum de hipotireoidismo é a Tireoidite Crônica de Hashimoto, uma doença em que o organismo produz anticorpos contra a própria glândula tireóide, levando a uma redução de sua função e conseqüente diminuição da produção de hormônios.

Os tratamentos da glândula tireóide como a cirurgia de tireoidectomia, o Iodo radioativo ou radioterapia cervical podem levar ao hipotireoidismo.

O hipotireoidismo congênito pode ser decorrente da ausência de glândula tireóide ao nascer ou por mau funcionamento da mesma.

O uso de alguns medicamentos assim como o excesso de ingestão de Iodo na dieta pode levar ao hipotireoidismo, que são causas potencialmente reversíveis.

4) Como se trata o hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é tratado através da reposição do hormônio tireoidiano, que é a levotiroxina. Progressivamente os sintomas irão desaparecer com o uso contínuo do medicamento. Esta melhora é lenta e gradual e mesmo com o desaparecimento dos sintomas, a reposição hormonal não deve ser interrompida, senão o hipotireoidismo retornará.

A reposição com a levotiroxina não atua na causa do hipotireoidismo, já que é mais simples corrigir o efeito da falta de produção hormonal do que estimular a glândula a produzi-los novamente.

5) Como faço para saber se tenho hipotireoidismo?

O diagnóstico de hipotireoidismo é confirmado laboratorialmente através da dosagem do TSH no sangue do paciente. A dosagem ultra-sensível de TSH possibilita avaliar precocemente se a produção de hormônios pela tireóide é insuficiente para o organismo. Valores acima do limite superior da normalidade são considerados de hipotireoidismo.

6) O hipotireoidismo é comum?

O hipotireoidismo é extremamente comum e estima-se que acometa cerca de 5 milhões de brasileiros. Muitas pessoas não sabem que apresentam a doença porque seus sintomas são confundidos com cansaço, desânimo e sintomas de stress.

Uma pesquisa mostra que a incidência de hipotireoidismo entre as mulheres brasileiras é a mais alta do mundo, chegando a 12,3%, sendo que apenas um sexto sabe de sua doença O hipotireoidismo pode ser encontrado em homens e mulheres. Sua incidência aumenta com a idade, sendo sete vezes mais freqüentes nas mulheres, principalmente após os 50 anos.

7) O tratamento do hipotireoidismo é para o resto da vida?

Como o hipotireoidismo é decorrente de uma situação quase sempre irreversível da diminuição da produção de hormônios pela tireóide, normalmente, a reposição hormonal é necessária por toda a vida.

Hipertireoidismo

1) O que é hipertireoidismo?

É uma condição clínica causada pelo excesso de hormônios tireoidianos circulantes, devido a um aumento da produção ou da liberação destes.

2) Quais os sintomas do hipertireoidismo?

São: hiperatividade, alteração de humor (irritabilidade), sudorese e intolerância ao calor, palpitações, fadiga, fraqueza, perda de peso e aumento do apetite (ganho de peso é raro), aumento da freqüência das evacuações, alterações da menstruação (em geral, interrupção).

O médico ainda pode notar sinais, como: taquicardia, arritmias cardíacas, tremor fino, pele quente e úmida, alopécia, retração palpebral, entre outros.

Especificamente para a doença de Graves, a causa mais comum de hipertireoidismo, ainda há bócio difuso (aumento da glândula como um todo), exoftalmopatia (“olhos saltados”) e alterações cutâneas.

3) Quais as causas de hipertireoidismo?

A principal causa de hipertireoidismo é a Doença de Graves, uma patologia que acomete a tireóide, em que há produção de anticorpos que atacam a glândula simulando o hormônio TSH, um estimulador do funcionamento da tireóide. Esta é a causa de 3 em cada 4 casos de hipertireoidismo.

Há também o bócio nodular tóxico, que apresenta nódulos tireoidianos (único ou múltiplos) que produzem hormônios independentemente do controle do organismo (nódulos quentes). Esta doença geralmente acomete pacientes mais idosos, mas pode ocorrer em todas as idades..

4) Qual a freqüência de aparecimento da Doença de Graves ?

Esta doenca é relativamente comum e acomete 2% das mulheres e 0,2% dos homens. Ela geralmente ocorre em mulheres em idade reprodutiva.

5) Quais os tratamentos para hipertireoidismo?

Os tratamentos disponíveis para a doença de Graves são:

Drogas antireoidianas: medicamentos como Propiltiuracil e Metimazol são utilizados para o controle do hipertireoidismo, pois atuam na glândula diminuindo a produção hormonal . Este é o tratamento inicial e o objetiva que o paciente apresente remissão da doença com o tratamento.

Terapia com Iodo radioativo: é administrada uma pequena dose de Iodo radioativo que provoca uma reação de lesão celular tireoidiana levando a diminuição do hipertireoidismo. É o método de escolha nos Estados Unidos.

Cirurgia: é um método extremamente eficiente de resolução do hipertireoidismo, porém é cada vez menos usado. Tem espaço nos bócios muito volumosos, na doença de Graves com nódulos e na falha dos tratamentos anteriores.

Nos bócios multinodulares tóxicos costuma-se indicar o tratamento cirúrgico ou Iodo radioativo.

6) Por que tratar o hipertireoidismo é difícil e muitos pacientes abandonam o tratamento?

O tratamento medicamentoso para o hipertireoidismo pode necessitar a administração de muitos comprimidos por dia e por tempo prolongado, pois os efeitos do hormônio tireoidiano são duradouros e necessitam muitas vezes vários meses de tratamento para se obter o controle da doença. Muitos pacientes abandonam o tratamento por dificuldade de tolerar o uso de tantos medicamentos e seus efeitos colaterais.

7) Qual a melhor opção de tratamento?

Diversos fatores vão nortear a decisão de seu médico sobre o tipo de tratamento que melhor se adapta a cada paciente. O método inicial de tratamento é o medicamentoso, e a terapia com iodo radioativo é em geral a opção mais utilizada como tratamento definitivo. Pacientes crianças, adolescentes, com bócios muito volumosos ou com nódulos são mais tendentes ao tratamento cirúrgico.

8) A cirurgia para o hipertireoidismo requer algum preparo?

Sim. A condição ideal para se realizar o tratamento cirúrgico do hipertireoidismo e quando se obtém o controle dos níveis hormonais com o uso de medicação antitireoidiana e beta-bloqueadores. Esta situação pode requerer meses de preparo. Além disso, alguns cirurgiões administram altas doses de Iodo(Lugol) previamente à cirurgia com o intuito de facilitar o procedimento, pois a glândula torna-se menos sangrante e mais fácil de manipular.

Câncer de Tireóide

1)Como o câncer de tireóide normalmente se apresenta?

A típica apresentação do câncer de tireóide é paciente feminino de 30 a 50 anos com um nódulo palpável cervical que representa um nódulo tireoidiano ou um linfonodo cervical. A freqüência em mulheres é duas vezes maior que nos homens. Quando o diagnóstico é feito, os nódulos tireoidianos são habitualmente de 1 a 4 centímetros e apresentam metástases linfonodais em um terço, mas raras vezes metástases a distância são encontradas. É pouco freqüente o câncer de tireóide estar causando rouquidão ao ser descoberto.

2) Quais são os tipos de câncer de tireóide? Quais são os mais comuns?

Os principais tipos de câncer de tireóide serão listados e os dois primeiros tipos são classificados como carcinomas bem diferenciados de tireóide :

Carcinoma papilífero: o mais freqüente e normalmente de boa evolução. Ocorre em 75 a 80% dos casos.

Carcinoma folicular: apresenta em geral boa evolução, ocorrendo de 10 a 15 % dos casos. Está incluído um subtipo que é o carcinoma de células de Hürthle, com freqüência de 3%.

Carcinoma Medular: apresenta pior evolução e menor chance de cura. Mais raro, ocorre em 3,5% dos casos.

Carcinoma Indiferenciado ou anaplásico: Quase sempre é fatal mas felizmente muito raro, acometendo até 1,5%.

3) O câncer de tireóide é comum?

O câncer de tireóide não é um câncer comum, ele representa 1 a 2% de todos os cânceres. Todavia é o tipo de câncer endócrino mais comum e é um dos poucos tipos de câncer que tem aumentado sua incidência com o tempo. Em parte, este fenômeno é explicado pelo aumento do diagnostico precoce através de exames de tireóide por outros motivos.

Estima-se que 18 em cada 100.000 mulheres desenvolvem câncer de tireóide no Brasil anualmente. A proporção de incidência entre homens e mulheres é 1 : 3.

4) Como se trata o câncer de tireóide?

Basicamente o tratamento é cirúrgico e consiste em realizar a tireoidectomia total. A cirurgia retira a glândula tireóide e resseca gânglios linfáticos adjacentes acometidos pelo tumor, o que se chama de esvaziamento cervical. No pós-operatório faz-se a supressão hormonal, que consiste em repor o hormônio tireoidiano com uma dose um pouco superior a necessária, com o intuito de diminuir a produção pela hipófise do TSH, um hormônio que estimula o crescimento do câncer de tireóide. O objetivo é deixar os níveis de TSH em um valor inferior ao nível normal.

5) Quais as complicações da cirurgia de tireóide?

Veja Orientações para os pacientes que farão cirurgia de tireóide

6) A radioterapia e a quimioterapia são usadas para o câncer de tireóide?

Raramente. O câncer de tireóide normalmente é pouco responsivo a estes tratamentos, mas algumas vezes são indicados em tumores avançados de tireóide.

7) Como é o tratamento com Iodo radioativo?

Quando o médico indica o tratamento com Iodo radioativo este só acontece após a cirurgia de tireoidectomia total. É necessário que o paciente esteja em hipotireoidismo e portanto só ocorrerá após cerca de 30 dias que o paciente está sem reposição hormonal tireoidiana. Há também uma rigorosa dieta a ser seguida e também é necessário evitar contato com qualquer substância que contenha Iodo em sua composição.

Para o tratamento é necessário internação hospitalar de 3 dias em regime de isolamento porque apos a ingestão da dose de iodo radioativo, são necessárias medidas para evitar a contaminação ambiental e de pessoas próximas, pois a radiação é eliminada pela pele, urina e fezes.

Felizmente este tratamento apresenta poucos efeitos colaterais e em geral são bem tolerados. Sensações como alteração do paladar e inflamação nas glândulas salivares podem ocorrer.

8) As chances de cura são boas?

Sim, cânceres de tireóide em estágios iniciais tem chance de cura maiores que 90%. Diversos estudos revelam que pacientes submetidos a tratamento de câncer bem diferenciado de tireóide tem até 95% de chance de estar vivos após 20 anos. Os pacientes que não apresentam boa evolução normalmente recorrem precocemente. Pacientes com metástases cervicais não tem uma chance maior de morrer pela doença.

9) Quais são os fatores que influenciam na evolução do câncer de tireóide?

Os fatores que influenciam negativamente na evolução do câncer bem diferenciado de tireóide são:

Pacientes com mais de 45 anos

Tumores maiores de 4 cm

Presença de metástases a distância

Presença de tumor que invade as estruturas adjacentes e não é totalmente ressecado

Alguns tipos mais agressivos de tumor.

10) O câncer de tireóide normalmente volta? Ele pode ser fatal?

Até um terço dos cânceres bem diferenciados de tireóide recidivam e retornam principalmente em gânglios (linfonodos) cervicais. Pode se passar até 20 anos para o câncer de tireóide reaparecer, por isso é necessário seu seguimento a longo prazo. Este seguimento envolve o exame físico cervical e exames laboratoriais como tireoglobulina (marcador tumoral), TSH, ultra-sonografia cervical, cintilografia de corpo inteiro, Raio X e Ressonância Magnética.

O câncer de tireoide pode ser fatal e normalmente isto ocorre quando os fatores da questão anterior ocorrem.

Estima-se nos EUA, cerca de 1490 pessoas morreram de câncer de tireóide em 2005.

11) Vou ter vida normal após o tratamento do câncer de tireóide?

Sim. Conforme já dissemos, as chances de cura são ótimas. Só será necessário a reposição hormonal sempre acompanhada pelo médico Endocrinologista ou Cirurgião de Cabeça e Pescoço. Esta reposição não traz limitações para as atividades cotidianas e apresenta poucos efeitos colaterais.

12) Como posso saber se tenho câncer de tireóide?

Procure um médico Endocrinologista ou Cirurgião de Cabeça e Pecoço que avaliarão sua tireóide pela palpação e exame de ultra-sonografia para checar se você não apresenta nódulos tireoidianos.Se estes forem encontrados, pode ser necessário realizar um exame de punção aspirativa por agulha fina, que é a melhor forma de triar se um nódulo é maligno ou não.

13) O câncer de tireóide é hereditário ? Qual a sua causa?

Aproximadamente 5 a 10% dos casos de câncer de tireóide tem história semelhante na família. O carcinoma medular de tireóide pode esta associado a uma síndrome genética com forte componente hereditário familiar, chamado Neoplasias Endócrinas Múltiplas (NEM) .

A principal associação de câncer de tireóide esta em pacientes que recebram radiação em suas glândulas tireóides. No desastre de Chernobyl e após a bomba de Hiroshima, apresentaram anos depois, uma incidência muito aumentada de câncer de tireóide nestes locais, principalmente em crianças.

ORIENTAÇÕES AOS PACIENTES QUE FARÃO CIRURGIA DE TIREÓIDE

Introdução

A cirurgia para a retirada de toda a glândula tireóide ou parte dela, é denominada tireoidectomia. O tipo de cirurgia, ou seja, tireoidectomia total ou parcial, irá depender de diversos fatores que o médico irá discutir com seu paciente.

De uma forma geral, a cirurgia de tireóide evolui bem, com raras complicações, mas alguns detalhes devem ser esclarecidos aos pacientes.

Pré operatório

Riscos

Toda cirurgia envolve risco de complicações. Apesar da cirurgia de tireóide ter índice um muito baixo de complicações, aqui serão relatadas as mais importantes que o paciente deverá saber:

Alterações da Voz

Um a cada 10 pacientes que são operados da glândula tireóide apresentam alguma alteração temporária na voz, enquanto que 1 em cada 250 pode evoluir com alterações definitivas.Isto ocorre devido a proximidade da glândula com os nervos responsáveis pelos movimentos das cordas vocais.

Estas mudanças na voz podem ser rouquidão, dificuldade em alcançar notas agudas ou cansaço ao falar que normalmente regridem em algumas semanas, mas que podem perdurar por vários meses. A recuperação vocal é melhorada com fonoterapia através da orientação de uma fonoaudióloga.

Hematoma

É uma complicação temida pelos cirurgiões pois pode por em risco a vida do paciente.

Apesar da grande preocupação do médico para que não haja sangramento no pós operatório, pode ocorrer um acúmulo de sangue no local operado(hematoma), podendo levar a dor e dificuldade de respirar. Esta é uma condição que tem de ser avaliada imediatamente pelo cirurgião, que pode decidir reoperar em caráter de urgência

Hipocalcemia

Junto a glândula tireóide, existem as glândulas paratireóides, que em geral são em numero de 4. Elas são responsáveis pela produção de um hormônio (PTH) que regula o nível de cálcio no sangue.

Após uma tireoidectomia, pode haver uma diminuição temporária ou definitiva da função destas glândulas levando a queda dos níveis de cálcio no sangue(hipocalcemia). Felizmente, é muito raro ocorrer uma deficiência definitiva na função que é chamada de hipoparatireoidismo definitivo e quase sempre estão associados com a tireoidectomia total.

O paciente pode apresentar como sintomas formigamentos nas mãos, nos pés, ao redor dos lábios e nas orelhas que podem evoluir para câimbras. O tratamento consiste em receber grandes doses de cálcio e vitamina D. Raramente estes sintomas ocorrem em tireoidectomias parciais.

Cicatriz

Todo corte sobre a pele produz cicatriz. Contudo, dificilmente as cicatrizes de tireoidectomia produzem cicatrizes com mau resultado estético, pelo contrário, são normalmente discretas.

O tamanho da incisão cirúrgica varia de 3 a 15 cm, dependendo do tamanho da tireóide, aspectos anatômicos do paciente, tipo de cirurgia e da experiência do cirurgião em realizar incisões pequenas.

As cicatrizes hipertróficas, popularmente chamadas de quelóides, são cicatrizes mais grossas, endurecidas e avermelhadas. Fatores como predisposição racial (japoneses), localização no corpo (tórax), complicações na ferida cirúrgica (infecções) e aspectos técnicos cirúrgicos estão implicados neste tipo de complicação.

A exposição solar deve ser evitada diretamente sobre a cicatriz por um período de até 4 meses após a cirurgia. Isto pode ser conseguido com o uso de de protetores solares (Mínimo FPS 30) e visam um melhor resultado estético da cicatriz.

O que levar para o Hospital:

Artigos de higiene pessoal

Exames pré-operatórios vistos no consultório incluindo:

Ultrassom da tireóide

Laudo citológico da punção aspirativa por agulha fina

Avaliação cardiológica

Raio X de tórax

Exames de sangue

Não tomar AAS

Evitar tomar qualquer medicação que contenha ácido acetil salicílico por 10 dias antes da cirurgia. Remédios como AAS, Aspirina, Buferin ou Melhoral, por exemplo, não devem ser tomados. O uso destes remédios aumenta muito o risco de sangramento durante a cirurgia e no pós operatório.

Jejum

Na cirurgia de tireóide é necessário um jejum de pelo menos 8 horas.

Cirurgia

Tipo de anestesia

A anestesia geral é a utilizada pela grande maioria dos médicos. Poucos serviços utilizam a anestesia local e não foi demonstrado nenhum benefício em relação a anestesia geral, que é mais segura e confortável para o paciente.

Tempo de Internação Hospitalar

É claro que diversos fatores como tipo de cirurgia, complicações clínicas do paciente e evolução pós-operatória influenciam no tempo de internação. Se não houver nenhum problema, a média de internação é de 1 dia, ou seja, o paciente recebe alta no dia seguinte a cirurgia.

Dreno

O local que foi operado produz uma secreção sanguinolenta que é drenado por um mecanismo de aspiração à vácuo, o dreno. Este dreno normalmente está localizado abaixo da incisão cirúrgica e permanece até o momento que o paciente for de alta.

Quando o dreno é retirado, é normal que fique saindo um pouco de secreção sanguinolenta pelo orifício do dreno, que vai diminuindo progressivamente até o orifício fechar sozinho, o que dura por volta de 2 dias. Enquanto isso um curativo com gaze e micropore deve ocluir o local, e deve ser trocado quando fica sujo de sangue, no mínimo 1 vez ao dia. A partir do momento que não há mais saída de secreção, o local pode ficar descoberto.

Curativo

A incisão de tireoidectomia fica coberta por um curativo de micropore. Este curativo é formado por vários pedaços dispostos em paralelo e tem uma tripla função:

proteger a incisão de bactérias e sujeiras

servir como pontos falsos auxiliando no resultado estético da cicatriz

proteger do sol, que é um dos grandes inimigos de uma boa cicatrização.

O paciente sai do hospital com este curativo, que só sera trocado no retorno de cirurgia, em consultório , após 1 semana.

Durante este período, quando o paciente for tomar banho, pode molhar o curativo, devendo secar com uma toalha ou secador de cabelo após o banho.

Pós operatório

Náuseas e vômitos

Alguns pacientes que passam por uma anestesia geral, podem sentir náuseas ou vômitos depois da cirurgia. Normalmente estes sintomas ocorrem no dia da cirurgia e tendem a mehorar bastante no dia seguinte, após uma noite de sono.

Medicações para náuseas e vômitos, ou anti-heméticos, são prescritos de rotina para que o paciente não sinta estes desagradáveis sintomas.

Dor

A tireoidectomia é uma cirurgia que apresenta um pós-operatório pouco doloroso, porém é comum sentir uma sensação de garganta inflamada por até uma semana após a cirurgia. A cada dia que passa espera-se uma melhora gradual.

Tosse

Os pacientes freqüentemente apresentam tosse no período pós-operatório devido a manipulação da traquéia e por inflamação das cordas vocais pela intubação durante a anestesia geral. Este sintoma tende a regredir espontaneamente e medidas como inalação e xaropes podem aliviar os sintomas.

Retorno ao consultório

O retorno ao consultório para reavaliação pós-operatória ocorre de 7 a 10 dias.

Pontos

Os pontos normalmente são retiradas 7 a 10 após a cirurgia.

Alimentação

Não há restrições alimentares específicas para a cirurgia de tireóide. O paciente pode sentir um pouco de dor ao engolir no dia da operação, recomendando-se uma dieta leve. No dia seguinte , este incômodo é bem menor e normalmente está liberada uma dieta geral, respeitando-se as restrições de antes da cirurgia, como dieta para diabéticos e hipertensos.

Restrições

A principal restrição no pós operatório é quanto ao esforço físico. Deve-se evitar atividades como carregar peso, ginástica, correr ou atividades domésticas onde haja utilização de força. Este cuidado visa diminuir o aparecimento de inchaço e possível sangramento no leito cirúrgico. Isto não quer dizer que haja necessidade de repouso no leito. É permitir andar, subir escadas, desde que com moderação.

O paciente pode movimentar o pescoço já nos primeiros dias depois da cirurgia, mas deve evitar traumas na região.

Medicações

Antiinflamatórios: São normalmente prescritos por 3 a 7 dias no pós-operatório. Evitam que o paciente sinta dor. Podem causar incômodos como queimação no estômago.

Analgésicos: Apesar da cirurgia evoluir com pouca dor, estes medicamentos complementam o controle da dor que os antiinflamatórios propiciam.

Cálcio: Seu médico orientará o uso de cálcio, principalmente após cirurgia de tireoidectomia total. Ele é prescrito para evitar ou tratar os sintomas desagradáveis da hipocalcemia, como formigamentos e câimbras. São utilizados quase sempre temporariamente, e serão retirados conforme a função das glândulas paratireóides se restabelecerem.

Reposição Hormonal: Não há pressa para se iniciar a reposição de hormônios tireoidianos pois o nível de levotiroxina demora a cair da circulação sanguínea. Estes hormônios poderão ser administrados imediatamente ou alguns dias depois da cirurgia.

Orientações para Dieta Pobre em Iodo

ORIENTAÇÕES PARA DIETA POBRE EM IODO

A eficácia do iodo radioativo depende da dose de radiação emitida para o tecido da tireóide. Reduzir a quantidade de iodo da alimentação é parte fundamental do preparo para o tratamento, pois as dietas com baixa quantidade de iodo (<50 mg/dia de iodo na dieta) têm sido recomendadas previamente ao tratamento. Esta dieta tem a finalidade de aumentar a avidez do organismo pelo Iodo, de forma que algumas células tireoidianas normais remanescentes, dos ligamentos tireoidianos, e também células de câncer de tireóide, captem com maior intensidade o Iodo radioativo recebido. Esta terapia complementa o tratamento cirúrgico e facilita o controle pós-operatório de recidivas tumorais. Esta dieta deve ser seguida por 2 semanas e é recomendada especialmente para aqueles pacientes com alta ingestão de iodo.

Alimentos

Proibidos

Permitidos

SAL

Sal iodado, salgadinhos industrializados

Sal não iodado

LATÍCINIOS

Leite, iogurte, requeijão, queijos em geral, manteiga, creme de leite

Leite em pó desnatado

PEIXES

Peixes de água salgada, frutos do mar (lagosta, camarão, marisco, ostra, lula, polvo), algas

Peixes de água doce

CARNES

Embutidos e/ou carnes defumadas (presunto, bacon, lingüiça, carne de sol, salsicha)

Carnes frescas

LEGUMINOSAS

Soja e derivados (tofu, leite de soja, molhos de soja, suco de soja, shoyu, etc.)

Feijão, ervilha, lentilha, grão de bico

OVOS, GORDURAS, ÓLEOS E MOLHOS

Gema de ovo, óleo de (soja, coco, dendê, amendoim), gorduras hidrogenadas, molhos a base de ovos, molhos prontos para salada, maionese

Clara de ovo, óleo de milho, óleo de canola, óleo de girassol, azeite, margarina sem sal

TEMPEROS

Temperos prontos e caldos concentrados (Sazon®, Knorr® etc.), catchup, mostarda, molho inglês

Ervas naturais em geral (orégano, alecrim, salsa etc.), vinagre

DOCES

Doces com gema de ovo, leite, chocolate e que contenham corante vermelho

Açúcar, mel, geléia, gelatina, balas e sorvetes de frutas sem corante vermelho

PÃES, MASSAS E CERAIS

Pão francês, pães industrializados, pão de queijo, pães, bolachas e torradas que contem sal ou ovos, bolachas recheadas, cereais industrializados (sucrilhos, granola), pizza, massa com ovos

Pão sem sal, torrada sem sal, bolacha de água, massas sem ovo, arroz, aveia, cevada, farinha, milho e trigo

FRUTAS

Frutas enlatadas ou em calda, sucos em pó ou industrializados

Fruta seca, fruta ou suco natural

VEGETAIS

Enlatados ou em conserva (azeitona, palmito, picles, milho), agrião, aipo, couve de Bruxelas e repolho

Todos os outros vegetais frescos

BEBIDAS

Chá mate, chá verde, chá preto, café instantâneo/solúvel, refrigerantes à base de cola

Café de filtro, refrigerantes transparentes

Material Elaborado por:
Tatiana Oliveira – Nutricionista, Mestre e Especialista em Nutrição em Oncologia
Para saber mais acesse o site www.nutrionco.com.br

Câncer de Boca

É comum o câncer de boca?
Sim, é o oitavo câncer mais comum entre os homens, e o nono entre as mulheres, segundo dados do Inca. Faz-se necessário esclarecer que, para a denominação câncer de boca, inclui-se o lábio e a cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palatos duro e mole, língua oral e assoalho da boca).

Como se manifesta o câncer de boca?
Através de uma ferida na boca, esbranquiçada ou avermelhada, não-cicatrizável, dolorosa e persistente. O paciente também pode referir dificuldade para engolir, falar, ou aumento de linfonodos cervicais.

Quais são os fatores de risco para o câncer de boca?
Sem dúvida alguma, os maiores fatores de risco são o tabagismo e o etilismo, especialmente se associados. Aproximadamente 95 a 97% dos casos do câncer de boca estão relacionados a eles. Para maiores informações, veja tabagismo e etilismo.
Outros fatores de risco estudados são: fatores genéticos, exposição ao sol (válido para tumores de lábio), infecções virais e traumatismo crônico por uso de próteses (embora, para essses dois últimos fatores, não tenha havido comprovação definida).

Como prevenir o câncer de boca?
A melhor prevenção é manter-se afastado dos fatores de risco ou, em outras palavras, não fumar e não beber. Além disso, é importante manter sempre uma boa higiene bucal, e procurar atendimento médico sempre que houver alguma lesão persistente na boca. Para usuários de próteses mal-adaptadas, deve-se procurar o dentista protético para ajuste.

Como se faz diagnostico precoce do câncer de boca?
Através do auto-exame, que consiste em observar, através do espelho, todas as regiões da boca. Se você sentir dor, desconforto ou, principalmente, se for etilista e tabagista, deve fazer o auto-exame com freqüência. As lesões ditas iniciais, ou pré-neoplásicas, são de dois tipos: a leucoplasia e a eritroplasia. A leucoplasia é definida como uma lesão esbranquiçada, não-destacável, que não melhora após a remoção dos fatores causais, e apresenta chance de se transformar em câncer que varia entre 0,25 a 30%. Já a eritroplasia é mais rara e perigosa, consistindo numa lesão avermelhada da mucosa que, ao ser analisada ao microscópio, costuma já apresentar células cancerígenas.

Qual médico devo procurar se notar alguma lesão na boca? O que é estomatologia?
A estomatologia é o estudo das doenças da cavidade oral. Na presença de alguma lesão de boca, o paciente deve procurar um clínico geral, um dermatologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço. Além disso, cada vez mais os dentistas se dedicam à prevenção e ao diagnóstico precoce de câncer de boca, em especial aqueles com especialização em estomatologia, de forma que também podem ser procurados na presença de lesões suspeitas.

Como é feito o diagnóstico do câncer de boca?
Através da suspeita clínica, baseada no aspecto da lesão, sintomas e fatores de risco. Porém, o diagnóstico definitivo só pode ser confirmado através de uma biópsia e análise anátomo-patológica.

Fazer uma biópsia não faz o tumor crescer mais rápido?
Não. A biópsia é um procedimento simples, realizado sob anestesia local, onde se retira um pequeno fragmento do tumor para análise. Nenhum tratamento para o câncer de boca pode ser realizado sem que se tenha confirmação, através de biópsia, do tipo exato do tumor. Além disso, existem doenças não cancerígenas que podem se assemelhar muito ao câncer de boca, e então a biópsia é o único meio de se diferenciar essas doenças.

Uma pessoa que nunca fumou ou bebeu pode ter câncer de boca?
Sim. Embora aproximadamente 97% dos casos está relacionada ao tabagismo, uma pequena parcela dos portadores desta doença não fumam. Nesses casos existem alterações genéticas, ainda em estudo, relacionadas ao aparecimento do câncer.

Uma pessoa cujo pai, ou mãe, tiveram câncer de boca, irão ter a doença?
Não necessariamente. Mas é conveniente que esta pessoa não fume, não beba e fique atenta a lesões iniciais, fazendo sempre o auto-exame.

Feito o diagnóstico de câncer de boca, qual é o próximo passo?
É necessário que se faça exames de estadiamento do tumor, ou seja, exames que tentem mostrar a real extensão do tumor, o que é conseguido aatravés de exames como tomografia computadorizada, endoscopia (e laringoscopia), raio-x de tórax, entre outros. Considerando o tratamento cirúrgico, também são necessários exames pré-operatórios e avaliação cardiológica. A partir de então, cabe ao cirurgião de cabeça e pescoço o planejamento do tratamento, bem como esclarecer ao paciente os aspectos envolvidos na terapêutica.

Quais são as opções de tratamento para o câncer de boca?
Trata-se, basicamente de uma doença de tratamento cirúrgico, uma vez que a cirurgia oferece as melhores chances de cura. Existem também tratamentos baseados em quimioterapia e radioterapia, podendo ser combindaos uns com os outros. Para maiores informações, vide quimioterapia e radioterapia.

Como é a cirurgia para remoção do câncer de boca?
Depende. Em primeiro lugar, é necessário avaliar a localização do tumor (o que se chama boca, na verdade cavidade oral, é dividida em várias regiões, a saber: lábio, soalho, língua, rebordo alveolar, palato e mucosa jugal), e para cada parte dessas há procedimentos cirúrgicos com suas particularidades. Além disso, é necessário saber a extensão do tumor, para sabermos o quanto será retirado. Em resumo, deve ser feita a total remoção do tumor, com margens livres.

Além disso, freqüentemente é necessário que se faça uma extensão da cirurgia para o pescoço, de forma a retirar linfonodos cervicais acometidos pelo tumor. A essa cirurgia se dá o nome de esvaziamento cervical, que pode ser de vários tipos e extensões dependendo de cada caso.

Para muitos casos é necessária uma traqueostomia de proteção (para maiores detalhes, vide traqueostomias ) e algum tipo de reconstrução (com retirada de outras partes do corpo para cobrir o defeito cirúrgico, os chamados retalhos). Tudo isso significa que, principalmente para os casos mais avançados, estas cirurgias podem ser muito complexas, demoradas, e exigirem equipe multidisciplinar (como, por exemplo, a cirurgia plástica reparadora).

Quais são as seqüelas que podem ter os pacientes submetidos a cirurgia para ressecção de câncer de boca?
Tudo depende da extensão da cirurgia, que, por sua vez, depende da extensão do tumor. Em casos mais simples, como por exemplo em ressecções de pequenos tumores de língua, praticamente não há qualquer tipo de seqüela. Já em casos mais avançados, é certo que teremos seqüelas.

Basicamente, as seqüelas do tratamento cirúrgico compreendem a fala, a deglutição e a respiração, em diferentes graus de acometimento a depender dos procedimentos específicos.

Por exemplo, a língua é um órgão de funcionamento muito particular, e mesmo que haja reconstrução adequada (com utilização de retalhos), em cirurgias onde grande parte dela é removida, o paciente irá apresentar alterações na fala e na deglutição. Em casos onde se faz necessária a remoção de parte da mandíbula, haverá alterações da deglutição e até do próprio ato da mastigação, às vezes impedindo que o paciente consiga ingerir alimentos muito duros, que precisem ser muito mastigados. Em casos de remoção do palato duro (“céu da boca”), será necessária reconstrução com prótese, caso contrário haverá alterações na fala (voz fanhosa, anasalada) e na deglutição (saída de alimentos pela cavidade nasal). Existem também seqüelas possíveis do esvaziamento cervical, em especial alteração de sensibilidade da pele do pescoço, dor e dificuldade à elevação do ombro.

De qualquer forma, faz parte do planejamento cirúrgico, além da óbvia remoção total do tumor, as reconstruções com a preocupação de causar a menor seqüela possível.

Essas seqüelas são tratáveis?
Sim. É necessário que se faça, em conjunto, acompanhamento multidisciplinar com odontologistas (para acompanhamento da saúde dos dentes, gengivas, etc, e alterações de mastigação), fonoaudiólogas (para tratar distúrbios de deglutição e de fala), fisioterapeutas (para tratamento do ombro e de edemas).

Também deve ser valorizado o acompanhamento com psicólogos, uma vez que esses pacientes são muitas vezes estigmatizados pela doença e pela condição, às vezes até de deformidade, que essas cirurgias podem causar.

É necessária a realização de traqueostomia?
Em casos de tumores avançados, com cirurgias que incluem grandes ressecções, a traqueostomia é necessária. Isso porque a cirurgia acarreta algumas possibilidades de obstrução de vias aéreas, seja devido ao edema que se forma, ou então por possibilidade de aspiração de secreções (saliva, catarro ou sangue) no pós-operatório. Assim, a traqueostomia é uma segurança de que o paciente irá respirar nesta fase.

De qualquer forma, para ressecção de tumores de boca, de maneira geral a traqueostomia é temporária, sendo retirada alguns dias após a cirurgia, não causando maiores seqüelas.

Depois da cirurgia, é necessário mais algum tratamento?
Em muitos casos, é necessária a complementação do tratamento com radioterapia pós-operatória, o que diminui as chances de recidiva do tumor. Para alguns casos, também poderá ser necessária a realização de quimioterapia. Para mais detalhes, ver radioterapia e quimioterapia.

É possível curar o câncer de boca?
Sim, e a chance de cura é maior quanto mais precoce for o tumor. Por isso é tão importante que as pessoas, em especial as fumantes, sejam orientadas a realizar auto-exame e, na presença de lesões suspeitas, procurar atendimento médico especializado.