Rumo a João Pessoa, SBCCP comemora sucesso de evento em Gramado

Com diálogo interdisciplinar, Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço emplaca importância da Sociedade para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço.

São Paulo, 12/08/2019 – por Mariana Veltri – colaboradora da SBCCP

Cerca de 1.200 pessoas estiveram presentes no XXVII Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e no XII Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia realizados entre os dias 07/08 e 10/08, na FAURGS, em Gramado, RS, com 898 inscritos. Para um êxito de um Congresso desse porte, a organização dos bastidores teve início um ano e meio antes.

Com organização da Stela Maris Eventos, para a preparação do Congresso, 10 equipes foram envolvidas para atender demandas desde inscrições, locação, planejamento científico, equipe de palestrantes, convidados internacionais e de especialidades de outras áreas da saúde, montagem, hospedagem, transporte e alimentação até divulgação. Tudo pensado em detalhes.

Foram um total de de 25 estandes – 6 estandes de 20m²; 11 estandes de 10 m²; 8 estandes de 5 m² e 4 patrocinadores sem estande -, o diferencial na estrutura do evento foi a participação da American Head & Neck Society (AHNS), com a vinda espontânea de 5 americanos; introdução da Arena Científica e Sala VIP e Midia Desk oferecida pela ROCHE com nível de facilidades e atendimento diferenciado, sob nossa coordenação; formato de talk show para a programação principal; ampla utilização do aplicativo SBCCP”.

As empresas organizadora e local bem como o presidente do Congresso Prof. Dr. Geraldo Jotz também planejaram os momentos de lazer para os participantes do Congresso, como a apresentação de um pocket show do Kurvatunturi, um espetáculo local de grande sucesso, assim como o Jantar do Presidente na Vinícola Ravanello para 70 pessoas; um bem servido coquetel de abertura para 500 pessoas e a Festa na Vila Bertti para 500 pessoas.

Para a festa cerca de 50 pessoas foram envolvidas: desde equipe de produção, decoração, buffet, banda, DJ, limpeza, coordenação e transporte.  “A proposta da festa foi incentivar a interatividade e a confraternização dos congressistas, com o objetivo principal de encerrar com chave de ouro um congresso extremamente bem sucedido”.

A equipe de produção pesquisou o melhor grupo de música de Porto Alegre e chegou até a Banda Dublê e a DJ Michelle, que fez médicos e residentes levantarem o pé do chão.

Expoentes da SBCCP comentam a organização para o evento

Ao circular pelos bastidores do Congresso, a reportagem conversou com alguns dos expoentes da SBCCP. O presidente do Congresso, Dr. Geraldo Jotz enaltece: “a comissão organizadora é muito importante na arquitetura, no arranjo do congresso, não somente na infraestrutura, como principalmente nas mesas montadas, mesas de discussão, palestras, conferências. E a importância maior do Congresso, que é a científica, se reflete na discussão das melhores formas de tratamentos para as inúmeras doenças que afetam os nossos pacientes na área da cabeça e pescoço. Formas de tratamento, do ponto de vista clínico, do ponto de vista cirúrgico, do ponto de vista imunológico, quimioterápico e radioterapia”.

Como citado por Dr. Jotz, o diretor científico da SBCCP, Dr. Leandro Luongo Matos diz que a preparação científica para um evento desse não acontece em alguns poucos meses. “A preparação para esse evento aqui já acontece há pelo menos quatro anos. Essa, atividade foi muito mais intensa nos últimos dois anos e, lógico, nos últimos seis meses muito mais, mas é muito prazeroso contribuir com a nossa Sociedade”, fala.

Dr. Leandro explica que a grade científica foi montada tentando abranger os especialistas do Brasil todo e muitos convidados internacionais. “Atrelado ao Congresso, teve a Prova de Título de Especialista, que aconteceu no dia 07/08. “Foi uma prova muito boa, sem nenhuma intercorrência, Aconteceu tudo muito direitinho. Tivemos quarenta e três candidatos, dois candidatos foram indeferidas as inscrições, dos 41, nós tivermos 16 reprovações que está de acordo com a reprovação histórica da nossa Sociedade. Mas uma prova de alto nível, com excelentes candidatos e a gente saiu muito satisfeito”, comemora.

Dentro de sua trajetória na Sociedade, Dr. Marco Aurélio Kulcsar, primeiro-secretário do biênio 2017-2019 relembra sua trajetória na SBCCP, onde ingressou a pedido do próprio professor Lenine, um dos fundadores da mesma. Galgando os cargos, participou do processo de modernização. “Hoje estamos num ano muito importante, porque nós estamos entregando um novo Estatuto para a Sociedade. Nós estamos agregando também a parte jurídica, que também é importante para uma sociedade sobreviver no mundo tão agitado como o nosso”, reflete..

Não podia faltar a palavra do presidente do biênio que chegou ao fim, Dr. Luís Eduardo Barbalho de Mello, que iniciou sua vida profissional no Instituto Nacional do Câncer, onde fez sua formação como cirurgião de cabeça pescoço. “Ao longo do tempo, tive sempre interesse de me envolver com os assuntos referentes ao desenvolvimento da especialidade no país. No que se refere à sua visibilidade, no que se refere a nós levarmos às pessoas, à sociedade de fato, o que que nós tratamos.

Sobre as mudanças implantadas em sua gestão afirma que foi uma trajetória muito animadora e compensatória. “Hoje a gente tem uma conquista muito interessante, um congresso com cerca de 800 pessoas, temos aí a possibilidade de uma interface com outras especialidades afins, que tratam doenças correlatas, de maneira que a ampliação de um leque de atuação do trabalho para o cirurgião de cabeça e pescoço é bem melhor do que tínhamos anteriormente. Essa é a principal conquista, de fazer essa troca de informações que levem de fato a termos melhores conquistas, tanto para o médico especialista e principalmente para levar o melhor atendimento ao paciente, que é o nosso alvo final”, ressalta.

Perguntado sobre o que significou a presidência, Dr. Luís Eduardo fala ser de muita responsabilidade e que ele não poderia deixar de falar no Congressos sobre as pendências que a área ainda necessita na política de atuação, sobre o exercício ético da especialidade em cirurgia de cabeça e pescoço, como a classe deve se comportar frente às operadoras de saúde, frente à gestão governamental do SUS e como os médicos devem se comportar em relação aos patrocinadores e à indústria farmacêutica.

“Você tem um país muito heterogêneo, regiões que são potencialmente mais ricas que outras. Reunir pessoas que trabalham em áreas distintas e tão díspares é um desafio. Esse talvez tenha sido a minha maior necessidade, tanto que nós fizemos encontros regionais, num total de 4, para aglutinar os associados. Isso foi o maior desafio e acho compensador para o exercício do cargo da presidência. Nós temos agora uma mudança Estatutária, onde a gente vai ainda estar muito próximo da direção, por meio de um conselho deliberativo. Não se deve afastar de uma Sociedade porque você termina um mandato, você deve dar o apoio aos que virão, participar dos eventos. Isso é importante para o jovem cirurgião que vem, nós temos essa responsabilidade: que eles nos vejam como exemplo e que sempre estaremos juntos das pessoas que deverão conduzir a Sociedade nos próximos anos”, complementa Dr. Luís Eduardo.

Como ação próxima aos sócios, Dr. Antonio Bertelli, diretor de Comunicação e Marketing da SBCCP, explica que foi essa a estratégia da Sociedade: “estreitar a relação com o sócio, representar o sócio, trazê-lo próximo da diretoria, mantendo-o informado-por meio de ações modernizadoras que ocorreram com as news e site. Esses foram os primeiros desafios, têm outros que eu já vejo pela frente, como a formulação de uma ouvidoria dentro do site, melhorar ainda mais a comunicação, outros canais que eu tenho pesquisado e que a gente pode usufruir, que são coisas mais modernas, então eu acho que tem muita coisa para fazer ainda”, antecipa.

Bertelli acredita que a Sociedade tem o papel de incentivar os jovens cirurgiões, que encontram muitas dificuldades no caminho e acabam trilhando outros caminhos da medicina tidos como menos árduos’. “Acho que a Sociedade próxima desses membros mais novos pode fazer com que os cirurgiões perseverem na carreira e, infelizmente, a gente vê hoje em dia pessoas muito talentosas deixando de operar. Então a SBCCP tem um papel importante no acompanhamento do início da carreira dos cirurgiões mais jovens”, afirma.

Dra. Christiana Vanni sentiu essas dificuldades no meio. Por ser mulher, por não ter médicos na família, não recebeu muito incentivo, mas orientada por um professor de cursinho, acabou fazendo a Osec, atual Santo Amaro, onde trilhou a profissão até entrar no ABC, e sua vida cruzar a da Dra. Jossi Kanda. “Foi minha primeira chefe, mulher, forte, determinada, super competente, extremamente correta, então foi um grande exemplo para mim. A gente foi evoluindo, galgando, aprimorando, até eu conseguir fazer o doutorado, entrar no HC, passar no concurso do ICESP, então é meio um difícil, um meio fechado ainda hoje em 2019, a gente vê algumas coisinhas de preconceito, escuta algumas coisas desagradáveis, mas aí a gente ignora e continua. Quando a gente faz as coisas de uma maneira correta, digna e ética, flui. É difícil, têm algumas horas de desânimo, a gente tem um problema muito grande da sucatização da Medicina no Brasil, em relação tanto à saúde suplementar como à saúde pública, mas a gente vai chegar lá”, confirma.

Com relação às inovações do Congresso, Dra. Christiana chama atenção para a disposição mais atrativa, moderna, mais bonita. “Os trabalhos em pôsteres estão bem no meio da gente, antigamente eles entravam em salas separadas, andares separados, então a gente não tinha acesso. Quando a gente enxerga as coisas, é mais fácil ter curiosidade e ir lá olhar. As salas estão muito bem divididas, o audiovisual de bastante qualidade, tem muito patrocinador, dentre os congressos, esse está muito melhor”, vibra.

E para finalizar este encontro de bastidor, um trecho de uma entrevista especial, que em outra ocasião pode ir na íntegra com uma série de outras especiais, com Dr. Luiz Paulo Kowalski, um dos ex-presidentes da SBCCP. “Fui exposto à especialidade já como estudante de medicina, Em Curitiba, trabalhando no Hospital Erasto Gaertner, com o Dr. Benedito Valdecir de Oliveira, depois vim para São Paulo decidido a fazer cirurgia oncológica e especializar-me em cabeça e pescoço. Cheguei no AC Camargo, onde concluí residência e depois migrei para o Hospital Heliópolis, fazer especialização em cabeça e pescoço”, relembra.

Depois trilhou caminho na Unifesp, conquistando doutorado em otorrinolaringologia, com foco sempre em cabeça e pescoço até alcançar uma bolsa no Memorial Hospital (EUA), uma oportunidade excepcional. De volta ao Brasil, voltou ao AC Camargo, onde está há quase 30 anos. “Pude reestruturar o departamento de ccp, criar uma estrutura verdadeiramente multidisciplinar e tornar um departamento – que já tinha uma história pregressa muito importante, o Dr. Jorge Barbosa, que começou o departamento, foi o primeiro presidente da Sociedade Brasileira, seguindo-se o Josias de Andrade Sobrinho, depois o Abraão Rapoport”, conta Dr. Luiz Paulo até chegar à presidência da SBCCP em 2005.

Recentemente teve o privilégio de ser aprovado no concurso para professor titular da USP. Inicia-se uma nova etapa em sua carreira. “Espero, dentro da Universidade, poder contribuir bastante com outros departamentos acadêmicos que existem e com a Sociedade. O compromisso é de formar pessoas, com a visão da multidisciplinaridade necessária, com uma atualização necessária. Hoje ninguém pode ficar afastado de atividades de atualização”, pontua.

Aos jovens, Dr. Kowalski dá o recado: “Hoje a gente vê uma Sociedade não só fazendo um congresso a cada dois anos, mas tendo inúmeras atividades presenciais ou pela mídia eletrônica, defendendo os sócios nas áreas de interesse, junto ao Conselho Federal, junto ao governo, então é uma sociedade que tem uma força muito grande e que vale a pena ser membro. Os jovens às vezes que estão se formando não sabem se deveriam ou não ser sócios, e claro que vale a pena, sim, nós fazemos parte de  uma grande organização, uma das maiores Sociedades de Cabeça e Pescoço do mundo, respeitada nacional e internacionalmente”.

Por fim o presidente eleito da SBCCP, Prof. Dr. Antonio José Gonçalves, em seu discurso de posse afirmou que a política desta gestão é de continuidade a diretoria anterior. “Com a reforma do estatuto nossa Sociedade terá uma estrutura organizacional mais moderna, democratica e participativa. Vamos dar força aos nossos vice-presidentes regionais para integrarmos cada vez mais nossos sócios. Manteremos os Encontros Regionais. Vamos visitar todos os serviços formadores – são 39 – no sentido de adequá-los a matriz de competências de nossa RM que aprovamos neste ano. Já melhoramos a tabela de honorários da saúde suplementar, agora é a vez de fazermos isto com o SUS. Integração com especialidades correlatas, participação com os movimentos sociais em prol de nossa especialidade e de nossos doentes, também fazem parte de nossa proposta de trabalho. O trabalho é imenso, a responsabilidade idem. Porém iremos em frente. Com certeza haverão obstáculos a serem transpostos. Vamos enfrenta-los e tudo fazer para vencê-los. Para isto conto com todos vocês, sócios da SBCCP. Obrigado pela confiança depositada nesta chapa que vai conduzir os destinos de nossa Sociedade nos próximos dois anos. Abraços a todos.”