Prof. Dr. Marcos Moraes – Exemplo a ser Seguido

por Fernando l. Dias, MD; Jacob Kligerman, MD e Roberto de Araújo Lima, MD

 

A Medicina e Cirurgia Oncológica estão de luto. Faleceuem 4 de maio pp. (próximo passado), no Rio de Janeiro o Dr. Marcos Fernando de Oliveira Moraes, de causas naturais. Dr. Marcos nasceu na cidade de Palmeira dos Índios, em Alagoas, no dia 10 de agosto de 1936. Filho de Osório Accioly de Moraes e D. Djanira de Oliveira Moraes.Sua trajetória como médico, cirurgião, oncologista cirúrgico e gestor foi extraordinária. Merece ser registrada e contada aos mais jovens (que não tiveram o privilégio de conhecê-lo pessoalmente), para que possam se inspirar na notável carreira do Dr. Marcos Moraes.Graduou-se pela Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 1963. Obteve o título de “Master of Science in Surgery”, pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, onde apresentou a Tese “Role of the sympathetic nervoussystem in experimental duodenal ulceration” e foi “Fellow” do Serviço de Oncologia Cirúrgica, também na Universidade de Illinois.Em seu retorno ao Brasil, organizou e chefiou, no Hospital de Ipanema, o Serviço de Tumores de Partes Moles e a Comissão de Oncologia, bem como administrou o programa de residência médica do mesmo. No campo da educação médica, foi Professor Titular de Cirurgia e Chefe do Departamento de Cirurgia da Universidade Gama Filho.Na prática privada, destacou-se como participante do grupo que fundou o Hospital Samaritano, onde floresceu um dos principais núcleos médico/cirúrgicos do Rio de Janeiro. Exímio Cirurgião Oncológico, construiu também sólida clínica privada com ênfase no tratamento do Câncer de Mama e do Melanoma cutâneo.

Sua atuação associativa não foi menos notável. Membro Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, foiDiretor de publicações da Revista do CBC, e o primeiro a realizar entrevistas orais como parte da prova para título de especialista em Cirurgia Geral do CBC. Fellowdo American College of Surgeons, por diversas vezes organizou eventos com a chancela dessa entidade no Brasil.

Foi Diretor do Instituto Nacional do Câncer por oito anos consecutivos, participou da elaboração do Programa Nacional de Câncer, na década de 90, contribuindo para a orientação da política de câncer no Brasil. Diante do sucesso de várias iniciativas, entre as quais, uma política de controle do tabagismo, o Instituto foi nomeado pela Organização Mundial da Saúde colaborador para o Programa Tabaco ou Saúde.

Durante sua gestão, ampliaram-se ações já em desenvolvimento para a detecção precoce do câncer e foram incorporados ao INCa, o Hospital de Oncologia (do ex-Inamps), o Hospital Luíza Gomes de Lemos (da Associação das Pioneiras Sociais) e o Pró-Onco (da Campanha Nacional de Combate ao Câncer). Foi, por mais de duas décadas, membro do Conselho Curador do Hospital A.C. Camargo em São Paulo.

Participou como protagonista da criação da Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer (FAF), para apoiar financeiramente o Inca e pesquisas contra o câncer (iniciando a época de “ouro” do Instituto Nacional de Câncer perpetuada pelo Dr. Jacob Kligerman). Foi o Presidente do Conselho de Curadores da FAF. Foi Coordenador do Programa Interinstitucional de Pesquisa, Ensino e Extensão na Biologia do Câncer da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina no ano 1997, apresentando Memória intitulada “Padronização Técnica da Gastrectomia Radical” (foi empossado em 30 de Setembro de 1997) e a presidiu no biênio 2007 a 2009, e finalmente reeleito em 2011. Em sua gestão, progrediu a construção do Centro da Memória Médica Nacional no terreno lateral ao Prédio Sede.

Foi Presidente e membro fundador da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e da American Trauma Society, em Chicago; Membro da Sociedade Latino-Americana de Diretores de Institutos Nacionais do Câncer; Membro do Executive Council da World Federation of Surgical Oncology Society; representante oficial do Brasil na Organização Mundial de Saúde para o National Cancer Control Programmes.

Representante oficial do Brasil junto ao National CancerControl Program, da Organização Mundial de Saúde. Presidente da Sociedade Latino-Americana de Diretores de Institutos Nacionais de Câncer e da Associação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Combate ao Câncer (ABIFCC). Coordenador do Programa Interinstitucional de Pesquisa, Ensino e Extensão na Biologia do Câncer da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mereceu o Prêmio de excelência em pesquisa concedido pela Kroc Foundation da Califórnia.

Seu CV é grandioso, com destaque ao extraordinário legado em favor da Medicina Brasileira e atenção à saúde dos brasileiros. Inovador, destemido e visionário,deixa um grande número de discípulos, amigos e admiradores dentro e fora da medicina.