Nova técnica para cirurgia de tireoide evita cicatriz aparente

Curso pré-JOPA traz a participação da SBCCP para mostrar a técnica TOETVA Hands On – Trans Oral Endoscopic Thyroidectomy Vestibular Approach, com apoio da Johnson&Johnson Inovation Institute.

 

por Emilson Freitas (INCA-RJ)

 

No dia 28/11/2018 foi realizado o primeiro curso brasileiro sobre Tireoidectomia Transoral – TOETVA – HANDS ON, em São Paulo-SP. TOETVA é uma sigla que na língua inglesa significa Trans Oral Endoscopic Thyroidectomy Vestibular Approach, uma técnica mais recente de abordagem à glândula tireoide, evitando, assim, uma cicatriz no pescoço. Após outras tentativas de se evitar a cicatriz na cirurgia da tireoide como o acesso transaxilar, transmamilar, e por incisão póstero-superior do pescoço, surge essa nova técnica  denominada de TOETVA.

 

Daí a importância deste curso, que teve como objetivo mostrar o passo a passo desta técnica, com apresentações teóricas de professores experientes na realização da mesma, somando-se ao treinamento (hands on), nas chamadas caixas brancas, onde uma série de exercícios de habilidades básicas em videocirurgia são desenvolvidos, proporcinando um treinamento no uso das mãos e da visão bidimensional. Mas o mais importante veio a seguir: a realização da técnica em porcos, com quatro estações, cada uma para 3 ou 4 alunos, com um professor orientando. Isto representa os primeiros passos para aqueles que pretendem iniciar a prática da TOETVA.

 

O curso teve como comissão científica os doutores: Antonio A.T. Bertelli, Leonardo Rangel e Renan Lira, que também participaram como professores. Contou com a participação de convidados internacionais, como Jonathon Russel, da Johns Hopkins University, e Arturo Madrid,  de Santiago do Chile. Entre os convidados nacionais participaram os doutores: Erivelto Volpi e Higino Steck. O coordenador do curso foi o Dr. Bertelli, com o apoio do Prof. Dr. Antonio Gonçalves, que é o chefe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa de São Paulo.

 

O curso teve o apoio da Santa Casa de São Paulo, Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), A.C.Camargo Cancer Center, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Johnson&Johnson.

 

Foram abordados todos os temas relativos à técnica. Um dos destaques foi “A situação da TOETVA no mundo”, demostrando um maior desenvolvimento da técnica em países asiáticos. A técnica tem sido desenvolvida também nos Estados Unidos, principalmente na Johns Hopkins University, em Baltimore, onde tem ocorrido cursos internacionais com Hands on em cadáveres. No Brasil, até a data deste curso, estavam catalogados 87 execuções da técnica. Foi mostrado todo o passo a passo da técnica com fotos e vídeos, seguido das evidências e indicações para a realização da TOETVA.

 

Ficou claro que a técnica está indicada prioritariamente para nódulos benignos, com dimensões de no máximo 4 cm, naquelas pacientes que demonstram grande interesse em não ter cicatriz no pescoço. Discutiu-se também a realidade do emprego da técnica TOETVA no Brasil, sendo comentado a respeito das dificuldades, ou por problemas relacionados à falta de material adequado nos hospitais ou pela dificuldade de aceitação da mesma por parte dos cirurgiões.

 

Priorizou-se a necessidade de uma curva de aprendizado, sendo muito importante a realização de cursos como este. Também foi abordada a necessidade da monitorização dos nervos e, finalmente, as complicações da técnica que são muito raras.

 

No encerramento do curso, os doutores Bertelli, Rangel e Renan coordenaram um brain storming atendendo perguntas e respostas de todos os presentes ao curso. No dia seguinte, todos os alunos tiveram a oportunidade de assistir a uma cirurgia na Santa Casa de São Paulo, na qual o Dr. Jonathon Russel e o Dr. Antonio Bertelli realizaram uma tireoidectomia parcial por esta técnica, o que fechou de forma brilhante o atual curso.