Médico agraciado aposta em sistema itinerante para atendimento

Governo reconhece a missão do médico para com seus pacientes e o condecora cidadão da cidade.

São Paulo, 17/01/2020 – por Mariana Veltri, jornalista da SBCCP

O cuidado com o outro é algo que o Dr. Ubiranei Oliveira Silva, cirurgião de cabeça e pescoço, tem dentro de si. A começar pela raiz de seu nome (ubirani – próprio de pessoas cuidadosas e atenciosas para com os outros). Não por acaso, que esse médico, natural de São Luis do Maranhão, foi consagrado em 30/11, Cidadão de Imperatriz, título reconhecido pela Câmara dos Vereadores, pelo serviço prestado aos pacientes de Oncologia atendidos pelo SUS, no Hospital Municipal da cidade maranhense.

Antes de chegar na pequena Imperatriz, município com 300 mil habitantes, localizada ao sul do Maranhão, em uma região conhecida como “Bico do Papagaio” (que envolve os Estados do Maranhão, Pará e Tocantins), Dr. Ubiranei se especializou como cirurgião-geral. “Em contato com os cirurgiões de cabeça e pescoço de São Luís, fiquei encantado pela dissecção anatômica, pela complexidade e ao mesmo tempo como era encantador lidar com um espaço tão pequeno e com tanta estrutura nobre. Me identifiquei muito com isso, porque sou extremamente perfeccionista naquilo que eu faço e ali você não pode falhar, não pode ter erro”, explica como então se decidiu pela cirurgia de cabeça e pescoço.

Certa vez atendia uma intercorrência no Hospital do Câncer, o Aldenora Belo, em São Luís do Maranhão, e recebeu um chamado do médico otorrino, Dr. Áureo Colombi Congussú, de Imperatriz, que precisava de um médico-cirurgião na cidade.

“Eu acabei aceitando… foi coisa de Deus. Vim para Imperatriz, comecei passando uma semana, depois duas e o interessante é que um dia ele tinha operado uma amídala em uma criança e depois de 15 dias teve um sangramento, devido a uma infecção e houve um ulceração da carótida. Não sabendo como parar o sangramento, o Dr. Áureo me chamou, eu estava na cidade e ele disse: ‘rapaz, não queria que você fosse mais embora daqui, gostaria que tu ficasse’. E então começamos a abrir uma sociedade. Foi algo bem inusitado como vim parar em Imperatriz”, conta Dr. Ubiranei.

De lá pra cá passaram-se 11 anos, desde que abriram a Clínica Othos. Divide seu trabalho entre a clínica e os atendimentos pelo SUS no Hospital Municipal de Imperatriz. Quando chegou em Imperatriz, Dr. Ubiranei diz que encontrou um cenário com muitos  pacientes desassistidos em cirurgia de cabeça e pescoço.

“Não havia esse tipo de especialista. Chegavam pacientes que tinham tumores iniciais, mas por falta de assistência do poder público tinham evoluído, pacientes com T2 evoluíram para T3, T4. Havia um sistema apenas de oncologia clínica, com quimioterapia na cidade. E a radioterapia, até então nessa época, era feita só em São Luís e havia uma fila muito grande”.

Em relação às mudanças, foi percebendo que foram chegando novos profissionais. Ele e seus sócios também foram contribuindo com as melhorias para a região. O reconhecimento veio pelo atendimento no SUS e pelo atendimento em consultório também. Pelo sistema público de saúde, Dr. Ubiranei faz uma média de 200 atendimentos por mês.

“A principal história de meus pacientes, o que observo em comum entre eles é a vontade de viver, de se ver livre daquela situação incômoda em que se encontram e a Fé. São pacientes extremamente crentes em Deus. E receber esse título foi algo maravilhoso, eu não esperava. Fui informado mais ou menos uma semana antes, por meio do jornal, que eu ia ser agraciado com o título. Considerando que existem aqui médicos mais antigos, que nunca receberam e que também vieram de fora, então foi uma grata surpresa. Fiquei muito feliz e espero continuar honrando esse título que foi extremamente importante para a minha vida.”, diz emocionado.

Os próximos passos é divulgar ainda mais o serviço de especialização, melhorar o atendimento no SUS, tanto para atendimento benigno como para os casos de tumores malignos, para que os pacientes possam receber um diagnóstico mais precoce e um tratamento mais rápido. “E, se tudo der certo, nos próximos dois anos, implementar um ônibus para realizar biópsias de pacientes nas localidades mais próximas, a fim de que os pacientes possam ter um tratamento menos agressivo e menos morbidade”, informa.