Cenário da saúde aponta honorários médicos depreciados e profissionais desmotivados

<em>Fonte: Comunicação da SBCCP com informações da Associação Médica Brasileira (AMB)</em>

 

 

Em artigo publicado nas mídias do segmento da classe médica, afirma-se que foi comprovado que os honorários médicos não são os responsáveis pelos altos preços dos planos de saúde no Brasil e nem dos ajustes anuais na casa dos dois dígitos. Segundo a publicação, hoje os médicos representam menos de 8% dos custos das operadoras de saúde, conforme análise das informações financeiras de operadoras e cooperativas médicas. Mesmo que houvesse um reajuste de 20% nos vencimentos dos médicos, o impacto nos custos totais seria de apenas 1,6%. Se o incremento fosse de 50%, o impacto seria de 4% no total. Isso significa menos de 1/3 do reajuste aprovado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) para os planos de saúde.

 

Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) o papel da ANS seria o de conciliar um acordo entre o usuário dos planos de saúde que recorrem à saúde suplementar em busca do que ainda está a desejar no atendimento público de saúde, promovido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

“A ANS, na condição de órgão regulador da matéria, poderia buscar e construir junto aos departamentos científicos das sociedades de especialidades médicas, as diretrizes e protocolos adequados ao atendimento dos usuários de planos e seguros de saúde. Somente dessa forma, alcançaremos a racionalização e equilíbrio entre custos e serviços prestados”, pontua Dr. Luís Eduardo Barbalho de Mello, presidente da SBCCP.

 

Demandas de hospitais, laboratórios de exames, médicos e das operadoras de saúde na grande maioria das vezes são de direções opostas e cabe à agência avaliar e garantir que as negociações sejam realizadas de forma equilibrada, principalmente levando em consideração que estamos falando em grandes corporações de um lado e de profissionais liberais de outro.

 

Assim como os reajustes dos planos de saúde aprovados pela ANS não contemplam as necessidades dos usuários, também não é direcionado para a remuneração digna do médico que irá atendê-los.

 

Para a AMB, não há o que justifique eticamente que os preços pagos por pacientes para os planos de saúde subam cada vez mais, enquanto os médicos, personagens fundamentais neste processo, não tenham sequer a correção inflacionária aplicada nos seus honorários. Esta situação é um desrespeito aos médicos e aos pacientes.

 

Dr. Luís Eduardo B. de Mello explica que por ocasião da contratualização dos serviços suplementares de saúde, entre empresas operadoras e vendedoras de planos de saúde, o médico deve ter resguardados os seus direitos fundamentais como prestador que executa seu trabalho e por ele deve ser remunerado. E defende que idealmente, essa prerrogativa mereceria estar resguardada juridicamente a partir da construção de um projeto de Lei complementar.