7th World Congress of the International Academy of Oral Oncology

por Renata Farias Souto Simonsen – FMABC

Entre os dias 31/08 e 03/09, foi realizado o IAOO, 7th World Congress of the International Academy of Oral Oncology, em Roma. O congresso manteve o padrão de multiplicidade e multidisciplinaridade na abordagem do câncer de cavidade oral e outros tumores relacionados.

Alguns trabalhos populacionais americanos apontaram aumento da incidência de câncer de língua na faixa etária de 18 a 44 anos em pacientes não fumantes. Em consequência, novos fatores de risco foram aventados, desde alterações genômicas -como translocações e alterações epigenéticas do miRNA – até a correlação do microbioma da boca. O aumento do uso de clareadores dentais e enxaguantes bucais também pode estar associado.

O sequenciamento genético do microbioma bucal mostrou que o processo inflamatório promovido por algumas bactérias parece não só estar relacionado com o desenvolvimento dos tumores de cavidade oral em não fumantes, quanto ao seu potencial de invasão, apontando para um fator de risco independente.

Após quatorze anos, quando Barry James Marshall ganha em 2005 o prêmio Nobel de medicina provando a associação do H. Pilory com a úlcera gástrica, voltamos nossa atenção para a flora bucal e sua associação com o câncer. Seria o prelúdio de um “painel bacteriano” a inferir no prognóstico do câncer de cavidade oral?

Das várias linhas de pesquisa para aprimoramento na obtenção de margens livres na ressecção de tumores de cavidade oral, destacou-se a cirurgia guiada por autofluorescência e anticorpos marcados por fluorescência, a exemplo do PPAR gamma antibody, mostrando melhores resultados em controle local de doença.

Existem ainda outras possibilidades, tais como imprint tecidual para mapeamento molecular de margens e a análise das mutações do p53 como recurso para encontrar células tumorais “ocultas” nas margens, considerando que alguns estudos apontam que mesmo com margens livres, a chance de recorrência local poderia variar de 10-30% no cec de boca.

Mais uma vez foi ressaltado que as margens a serem consideradas são da lesão e os melhores resultados de controle local são com as margens livres na primeira ressecção. Diversos estudos parecem mostrar que ressecar novamente no caso de margens comprometidas não melhora os resultados oncológicos, particularmente a sobrevida livre de recorrência local.

A associação de imunoterapia e radioterapia parece ser promissora, apesar de complexa. Questionou-se a radioterapia como um potencializador e não um supressor da resposta imune, possivelmente facilitando o aumento da entrada de CD4 nas células. Mais estudos são necessários para entender essa relação e desvendar se a combinação de imunoterapia com radioterapia poderia promover o fenômeno conhecido como “the abscopal effect” – a regressão de células tumorais fora do campo de irradiação.

Mantendo o padrão das edições anteriores, não poderíamos deixar de destacar o comprometimento do evento com a apresentação de inovações tecnológicas visando facilitar o tratamento do câncer de boca: as novidades em robótica para a cabeça e pescoço, prototipagem e impressoras 3D etc.

Um diferencial desta edição foram os simpósios apresentados por várias Sociedades Nacionais em Oncologia Oral, destacando o simpósio brasileiro que abordou o tratamento do câncer recorrente e avançado de cavidade oral.

Nos vemos no 8th Meeting of The International Academy of Oral Oncology, que acontecerá em 2021 na cidade de Chicago, arrivederci!